Produção de pinhão no RS terá redução neste ano comparado ao anterior

A Emater/RS-Ascar projeta uma safra menor do que a do ano passado nesta temporada do pinhão, que tem início nesta quarta-feira (1º) no Rio Grande do Sul. A projeção é feita para a Serra gaúcha, principal produtora. A expectativa é de uma diminuição na colheita, em percentuais que variam de 12,5% a 60%.

Por outro lado, em alguns municípios, como Caxias do Sul, deve haver a manutenção dos índices da colheita anterior. E, em Canela, um crescimento na produção de até 100% em relação à safra anterior.

A Emater/RS-Ascar explica que a redução na safra se deve principalmente às condições climáticas durante o período de reprodução e crescimento do pinhão. Secas recorrentes nos últimos anos e chuvas abundantes no final do inverno e início da primavera, juntamente com a alternância de produção, que é uma característica da espécie.

As oscilações de produção da Araucária angustifólia são cíclicas. Como planta nativa, a espécie apresenta variações de produtividade, em média, a cada três anos.

Protegida por lei

A Lei Estadual (Nº 15.915, de 22/12/22) autoriza a colheita, transporte, comercialização e armazenamento da semente a partir desta data. A lei visa assegurar a proteção da Araucária e da fauna associada, e conciliar a geração de renda das famílias envolvidas na cadeia produtiva do pinhão.

Por ser uma espécie ameaçada de extinção, também é vedado o corte de Araucária nativa, que produz pinhas, durante os meses de abril, maio e junho.

Configuração da atividade

Normalmente, em anos de colheitas regulares, um dos maiores produtores é São Francisco de Paula, com uma produção anual estimada em 120 toneladas em safra normal. Para este ano, a produção prevista é de cerca de 40 toneladas, ou seja, uma redução de mais de 60% em relação à safra anterior.

O pinhão tem destaque nos municípios de Gramado, Canela e Nova Petrópolis, onde faz parte da cadeia do turismo. Devido à natureza predominantemente informal da atividade, não é possível estimar com precisão o número de famílias envolvidas e a quantidade produzida.

Toda a colheita é manual e a cadeia produtiva apresenta poucas iniciativas de beneficiamento, industrialização e armazenamento, concentrando-se a comercialização no período que vai de abril a junho, podendo estender-se até agosto em regiões com variedades tardias.

Outras regiões

Na região de Passo Fundo, a colheita estimada é de 130 toneladas. Os municípios que se destacam na produção de pinhão são Barracão, Caseiros, Capão Bonito do Sul, Mato Castelhano, Água Santa e Lagoa Vermelha. Na região de Soledade, cerca de 140 famílias produtoras esperam colher nesta safra cem toneladas de pinhão.

Preço

As estimativas de preços variam conforme o município e a modalidade de comercialização, feita praticamente toda de forma informal e “in natura”. Na Serra, o valor parte de R$ 5,00 ao quilo, no caso de produto entregue aos intermediários, até R$ 16,00 em supermercados, feiras e outros.

O beneficiamento da semente na forma de pinhão moído ou de paçoca agrega valor ao produto, que chega a R$ 20,00 ou R$ 30,00 o quilo. O preço mínimo pago para o extrativista de pinhão neste ano, conforme a Portaria do Mapa (nº 868, de 01/12/25), é de R$ 4,63/Kg.

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By Novidades do Sul

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