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Lula acena a militares e diz não temer violência: “Temos de ir para as ruas”

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O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que sua campanha ao Palácio do Planalto, a partir de agora, será em locais abertos. O petista também convocou apoiadores a irem às ruas.

“Vamos fazer uma campanha sem ódio. Não precisamos aceitar nenhuma provocação. Ninguém tem de brigar com ninguém na rua. Vamos ganhar tendo coragem. Tem gente que acha que não devo fazer comício, que devo fazer em local fechado. Daqui para a frente é tudo em lugar aberto”, disse. “Temos de ir para as ruas mostrar para o povo brasileiro o que é democracia de verdade. Nós não podemos ceder para esse fanfarrão”, completou, numa referência a seu principal adversário na corrida eleitoral, o presidente Jair Bolsonaro (PL). A campanha do petista enfrenta preocupações com segurança e promoveu poucos eventos em locais aberto até agora.

As declarações de Lula foram dadas na convenção nacional do PSB, sexta-feira (29/7), em Brasília, que oficializou o ex-governador Geraldo Alckmin como vice na chapa do ex-presidente.

Lula citou o encontro de Bolsonaro com embaixadores estrangeiros, no último dia 18, em que o chefe do Executivo tentou desacreditar a lisura do sistema eleitoral. “O que ele tem de ter medo é que o povo brasileiro está saturado, enojado, cansado de tanta mentira, de tanto fake news e de tanta destruição deste país”, enfatizou.

O petista fez acenos às Forças Armadas em meio aos ataques antidemocráticos de Bolsonaro. O ministro da Defesa, general Paulo Sérgio de Oliveira, faz coro às suspeitas que o chefe do Executivo lança contra o processo eleitoral. “Nunca tive problema com quem eu escolhi para as Forças Armadas. As Forças Armadas têm uma função estabelecida na Constituição. Nunca perguntaram para quem e por qual motivo o presidente toma uma decisão. Eles cumprem”, disse Lula. “Cada um tem de cumprir sua função. Um presidente não pode tratar (as Forças Armadas) como um objeto na mão dele.”

No seu discurso, Alckmin procurou se dirigir ao eleitorado que mostra resistência ao nome do ex-presidente. “Quero falar com os brasileiros que ainda relutam em admitir que Lula pode ser — e com a força de todos nós certamente será — a alternativa mais viável para fazer do Brasil um país melhor”, sustentou. Ele citou empresários, trabalhadores, famílias e pessoas que perderam conhecidos na pandemia da covid-19. “Bolsonaro abusou de sua confiança, mas nós jamais abusaremos. E esse nosso compromisso haverá de ser fielmente cumprido”, prometeu.

Alckmin destacou que é hora de mandar “embora” o chefe do Executivo “por todo o mal que causou ao país”. “É hora de ir embora e, com ele, as ameaças, a bagunça e a incompetência. Quem menospreza o sentimento alheio no meio de uma pandemia, faz apologia ao armamento, defende tortura, hostiliza, não pode mesmo ter compaixão”, ressaltou. “Quem, acima de tudo, faz todas essas barbaridades e ainda se omite da responsabilidade pelos erros e pelo desastre que causa, não pode mesmo ter nenhuma sensibilidade social.”

Ditadura

Alckmin também rebateu ofensivas de Bolsonaro contra o sistema eleitoral. O ex-governador destacou que a democracia é uma obra coletiva “que exigiu muita luta” e “reclamou muitas vidas”. “A ditadura nos tirou a liberdade, mas o povo brasileiro não vive sem liberdade. E quem não vive sem liberdade, não vive sem democracia. Por isso, não vamos abrir mão do nosso direito de escolher livremente quem deve governar o país”, sustentou.

O presidente nacional do PSB, Carlos Siqueira, destacou pontos a serem adotados para a construção de um projeto nacional de desenvolvimento. “O Estado Brasileiro precisa ampliar de forma dramática sua capacidade de investimento e de planejamento estratégico”, ressaltou.

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