Brasil Pesquisa da UFRGS desenvolve testes rápidos para o coronavírus

Pesquisa da UFRGS desenvolve testes rápidos para o coronavírus

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Pesquisadores usam uma tecnologia portátil de detecção mais ágil do que as atuais

Foto: Josué Damacena/Fiocruz

Pesquisadores usam uma tecnologia portátil de detecção mais ágil do que as atuais. (Foto: Josué Damacena/Fiocruz)

Uma equipe multidisciplinar com pesquisadores da UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul), da UFT (Universidade Federal do Tocantins) e da Universidade de Louisville, nos Estados Unidos, está desenvolvendo um método para testagem rápida do Sars-CoV-2 usando uma tecnologia portátil de detecção mais ágil do que as atuais.

De acordo com o coordenador do projeto, o professor do Instituto de Física da UFRGS Marcelo Barbalho Pereira, o método tem potencial para identificar a presença do coronavírus de forma mais rápida do que as técnicas usadas atualmente. Após os testes iniciais e comprovando-se a eficácia da testagem, a pesquisa seguirá para a segunda etapa, que envolverá o desenvolvimento de um dispositivo portátil que possa ser utilizado em qualquer local em que se necessite uma testagem rápida, como hospitais, rodoviárias e aeroportos, sem a necessidade de um laboratório especializado para isso.

O professor do Instituto de Química da UFRGS Klester dos Santos Souza, outro integrante do projeto, acrescenta que o plano é trabalhar diretamente com o DNA viral e não com os anticorpos produzidos pelos indivíduos contaminados para combater esse agente infeccioso, como é o caso dos testes rápidos comuns.

Dessa forma, pode-se detectar mais cedo a presença do vírus, já que há uma janela imunológica de cinco a sete dias após a infecção, ou seja, só depois desse período o organismo produz quantidades identificáveis de anticorpos. Basicamente, a ideia é que o sistema receba uma solução contendo o material biológico dos pacientes (saliva, por exemplo) para apresentar o resultado em menos de dez minutos.

O dispositivo vai funcionar a partir de dois processos simultâneos: um óptico e um eletroquímico, em um biossensor formado a partir de lâminas de vidro recobertas com uma fina camada de ouro, funcionalizadas com um material sensível ao DNA viral.

O grupo de pesquisa já trabalha há cerca de cinco anos na área de biossensores (sensores capazes de identificar uma molécula biológica). O princípio do biossensor é utilizar ressonância de plásmon de superfície (SPR) junto com medidas eletroquímicas. Plásmons são oscilações eletromagnéticas confinadas à interface entre um metal, usualmente prata ou ouro, e um meio dielétrico (isto é, com baixa condutividade elétrica) devido ao movimento coletivo de elétrons livres no metal.

No biossensor, a superfície de ouro é recoberta com uma fita simples de DNA, desenhada para se ligar ao DNA do Sars-CoV2 (causador da Covid-19). Uma luz laser polarizada atravessa um prisma, em um determinado ângulo de incidência, e chega à camada de ouro gerando o plásmon de superfície. Caso o material biológico do paciente contenha DNA viral, acontecerá uma ligação com o DNA da superfície do biossensor, modificando o plásmon de superfície, que, então, é detectado opticamente.

Para aumentar a sensibilidade do teste – e nela reside o maior diferencial do método proposto –, a excitação dos plásmons de superfície é acompanhada por uma modulação eletroquímica do biossensor. Essa modulação é um processo que permite doar ou remover elétrons das moléculas (DNA) ligadas à superfície de ouro e, com isso, modifica-se o sinal de detecção.

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